segunda-feira, janeiro 23, 2012

Novela da gente



A falta de tempo e a fórmula repetitiva nos folhetins televisivos, fizeram eu me afastar da frente das telinhas e parar de assistir as nossas tradicionais novelas. Porém, um curso noturno me fazia parar em casa depois do trabalho para um lanche ou um banho, seguido de um período merecido de férias, era quando eu ligava a televisão no começo da noite e me deparava assistindo a novela: A Vida da Gente.
Uma história de amor e cumplicidade entre duas irmãs, onde a primeira tem uma filha do amor da adolescência e quando o rapaz descobre que é pai quando a mocinha sofre um acidente e passa anos em estado vegetativo. O rapaz acaba refazendo a vida, com a ajuda da outra irmã e divide com ela os cuidados da filha/sobrinha. Descobrem-se apaixonados e vivem felizes juntos, mas a estrutura é abalada quando a primeira desperta do coma e as dúvidas do rapaz, que não concretizou o amor com a mesma, em troca da vida feliz e estável junto com a segunda.
Um verdadeiro drama, onde pode-se dizer com toda certeza que há uma vilã ou um traidor. Será? Roubar o namorado da irmã, numa situação dessa, não é traição? Mas não foi isso que eu assisti, caro leitor. O que vi foi uma relação de cumplicidade partida, no meio do afeto que os une e que é o alicerce dessa história que não existem vilões e sim vítimas do destino, onde perpetua-se os conflitos familiares e os obstáculos do cotidiano, o grande vilão da trama.
Ainda que pareça uma novela mexicana, não é assim que a história é mostrada, pelo contrário. A mesma, embora com um tema denso e recheado de personagens com deveras conflitos internos, tem diálogos francos, sensíveis, sutis e reais, que aproximam o telespectador da trama, que parece despretensiosa, mas que é digna de ser assistida no horário nobre, não só pelo seu texto, mas pelo elenco e também a direção. E parabéns principalmente a autora Lícia Manzo que conseguiu fazer um novelão clássico, numa história onde não há certo, nem errado, vilão nem heróis e sim o cotidiano que leva a novela.

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terça-feira, janeiro 17, 2012

Estuprador ou Estuprado?



Ontem li no jornais e nos sites de notícia que houve um estupro no programa Big Brother e que até a polícia foi até a Tv Globo apurar os fatos , que resultou na expulsão do suposto estuprador(ex –jogador) de disputar o prêmio de um milhão e meio de reais e a tal cobiçada fama.
Não tenho nada contra o programa Big brother, acho apenas um programa sem graça e sem conteúdo, mas  acredito que as pessoas  têm de ter a liberdade de fazer o que bem entendem ,até mesmo assistir tipo de programas como esse.
O que me assusta é a manipulação eterna da  emissora de televisão que reivindica a liberdade de expressão , pois se acharem importante para a manutenção da democracia , mas que ao mesmo tempo exibem programas que fazem apologia a bebida alcoólica, sexo, cobiça e fama.
A concessão da tv pública não seria para ser utilizada para que a população tivesse mais uma forma de acesso a educação e a cultura? Assim os meios de comunicação junto ao Estado deveriam passar programas que colaborem para isso ou então deixem de ter a concessão. Fique claro que não faço apologia a censura, mas pergunto se qualquer conteúdo pode ser veiculado independente dos danos que podem causar à coletividade ?
         Outra coisa que me fez pensar é que se a rede de televisão expulsou o “suposto” criminoso do programa faz supor que algo grave ocorreu e que a mesma está assumindo essa responsabilidade e que faz parecer como sempre ocorre em outras esferas da programação da emissora que nada passou de um mero aborrecimento, quando a lesada não é ela.
E o  que é pior , um fato como este num programa que vem ruim das pernas , nos termos de audiência , pode elevar sua visibilidade com a polêmica ocorrida , evidenciando ainda mais o poder de manipulação ao público.
O que me faz perguntar a vocês meus caros leitores quem realmente é o verdadeiro estuprador e o estuprado dessa história toda?
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quarta-feira, janeiro 04, 2012

Desejo





Tentei fazer planos para 2012 e realmente não consegui armazenar em uma lista tudo que eu realmente quero pra um ano só, percebi então que eram metas a ser atingidas ou concluídas ao longo da vida. Resolvi então fazer o rol de promessas , palavra essa que me lembra barganha, pois foi o que aprendi dentro do preceito católico que há muito tempo larguei de mão. Onde tudo o que é pedido há algum Santo é prometida alguma coisa em troca, seja milheiros de calendários de oração com o Santo da devoção, doações de dinheiro, velas e mantimentos as paróquias ou algum sacrifício do tipo parar de fumar , beber , comer pão em troca do pedido realizado, entre outras coisas.
 O que me impede de realizar a famosa listinha de promessas, não me impede de desejar que algumas das metas que eu tenha sejam logo atingidas nos próximos trezentos e sessenta e cinco dias , como também que os parentes, amigos e os caros leitores que acompanharam a blogueira durante o período passado realizem seus desejos e façam menos promessas. Como disse Sartre : "  Ser homem é tender a ser Deus; ou, se preferirmos, o homem é fundamentalmente o desejo de ser Deus."



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crédito da foto - cena do filme Asas do desejo de Win Wenders

sábado, dezembro 24, 2011

Presente de Natal


Conversava com umas amigas sobre o corre corre no Natal e sobre os gasto e compras que fazemos com a troca de presentes nesta data. E como realmente começou essa prática citamos então o bispo Nicolau  que rico , caridoso e louco por crianças as presenteava e jogando até mesmo presentes pelas janelas, a fim de agradá-las.
Alguém que entrou na conversa afirmou ter surgido na Roma antiga, na festa da Saturnália , onde uma semana os pessoas saiam as ruas e se presenteavam como uma forma de confraternização e onde tudo era permitido : música, comilança e sexo. E que a Igreja Católica  apropriou-se dessa prática pagã , para comemorar essa data
E por último conversamos sobre a versão de cunho religioso se deu pelo nascimento de Jesus , quando recebeu no seu nascimento mirra, incenso e ouro dos três Reis magos : Baltazar , Belchior e Gaspar.
Elas continuavam a falar sobre o assunto e meu pensamento desviava e reparei o quanto estava feliz ali ao redor de pessoas queridas e amigas me fez pensar o que é realmente era um presente. Encontrar com os amigos depois de tanto tempo e como se tivéssemos nos encontrado ontem. E ter certeza que a amizade não se perde.
Passar por apertos profissionais e financeiros que mudam tudo aquilo que havia traçado pra você pode e que desmoronam de uma hora para outra. Mas conseguir achar soluções ou adequar-se as novas situações , acreditando no provérbio popular : “que na vida tudo tem solução e que só não tem solução para morte.”
Ter encontros e desencontros amorosos , sabendo que eles podem ou não dar certos , mas o que importa é reacender a chama muitas vezes apagadas pela desilusão , mais  escolher o amor até o fim.
 E principalmente estar com saúde para viver tudo isso, passando por adversidades, tristezas , mas também brindando a alegria e as conquistas,  o que é realmente mais do que um presente Natalino.
FELIZ NATAL A TODOS OS LEITORES QUE ACOMPANHARAM O BLOG DURANTE UM ANO , O QUE REALMENTE FOI UM PRESENTE.
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terça-feira, dezembro 20, 2011

Tempo da delicadeza


Acho que mesmo para quem nada pouco de metrô , de vê saber que no fim do horário de trabalho é sempre cheio e nessa época de fim de ano , onde até as pessoas que não freqüentam transporte público , utilizam-se do mesmo e ai já viu como a coisa piora.
E ontem nessa quase briga para entrar no vagão , duas senhoras me empurravam ferozmente para que entrasse e eu educadamente respondi : “ Calma, tem um senhor de bengala na minha frente.” Elas me fuzilaram com o olhar e uma delas disse : "Não interessa , empurra mesmo assim.” A outra mulher , olhou para amiga e falou : É isso mesmo. Onde já se viu sair de casa com bengala nessa época. Um rapaz ao meu lado , que ouvia a tudo balançou a cabeça estupefato , assim como eu, que diante do narrado fingi não ouvi mais os comentários nada gentis das bem vestidas mulheres , embora ambas sem nenhuma elegância. Esperei o alheio senhorzinho passar a minha frente com sua elegante bengala e fiquei como um guarda costas , a zelar por ele , até que ele sentasse na cadeira preferencial. Aproveitei e reparei que as mesmas senhoras não faltavam muito para também estarem usando bengalas e pensei que não existe idade para delicadeza e nem para educação. E palavrinhas como :‘‘Obrigada, por favor, com licença, pois não, muito obrigado(a),De nada. “ Hoje são tão pouco usadas nos dias atuais , diferentemente da época do que se possa chamar tempo da delicadeza.
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terça-feira, dezembro 06, 2011

Amigos para sempre



Ouvi espantada o questionamento de uma amiga da minha época de adolescente: “Me fala o nome de suas amigas de hoje , que você tem um elo tão forte como o das nossas amigas de colégio?” Constrangida tentei desviar a pergunta , mas ela insistia, como se fosse importante a resposta , do tipo daquelas que fazem quando você é realmente criança : “ De quem você gosta mais, do papai ou da mamãe? Do vovô ou da vovó? Do titio ou da titia? E por aí vai...
Ah! Equivocada e querida amiga , a vida tem muitas escolhas e acredito que somos responsáveis pela maioria delas, mas daí a julgar sentimentos em relações aos amigos sejam eles de quais a fase da vida estejamos é algo que contraria a minha natureza , pois não costumo dividi-los em prateleiras, pelo contrários os meus amigos podem ser:
Feios, bonitos, pobres, ricos, velhos, novos, simpáticos, antipáticos, alegres ,tristes , espertos, bobos, fortes, fracos, calmos , agitados, tensos, sérios, loucos, bêbados , lúcidos, gentis, grosseiros, duros, rígidos, brincalhões relaxados, pessimistas, otimistas, ateus, religiosos, tímidos, extrovertidos, pacientes, impacientes, nobres, generosos, caridosos, egoístas, normais , esquisitos, magros, gordos, sinceros, francos, maduros , imaturos, arrogantes , metidos, humildes , escandalosos , ridículos, responsáveis , irresponsáveis, distraídos, prestativos,insanos, vaidosos, hippies, mauricinhos, rápidos, lentos, gays , lésbicas, estrangeiros, amarelos, negros, brancos e até azuis.
Não importam as qualidades e defeitos  deles , ou melhor copiando a frase de uma amiga : “ Meus amigos não tem defeitos e sim problemas.” Considero-os como “meus” e o que sinto por eles é imensurável, já que cada um deles contribuiu para minha história, seja na infância, adolescência ou na vida adulta.
"Lembre ninguém é um fracasso quando se tem amigos.” (Do filme A felicidade não se compra – de Frank Capra)
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sexta-feira, dezembro 02, 2011

Jogo do contente


Uma espirituosa amiga postou numa rede social , que há três anos seguidos , dias antes do seu aniversário uma manga cai no vidro de seu carro , espatifando-o. E que nesse ano o ocorrido não poderia ser diferente e o amarelo da fruta misturou-se mais uma vez aos estilhaços da vidraça.
            A queda de frutas nos carros dos cidadãos não é incomum quando falamos da cidade de Belém, onde túneis de mangueiras cobrem a cidade e salvam do calor realmente tropical , que há no norte do país. O raro acontecer é a casualidade do fato acontecer sempre dias antes do aniversário da amiga.
            Assim diante  a postagem feita , os amigos fizeram vários comentários sobre a falta de sorte , inferno astral, mandingas e outras superstição que dizem existir antes do aniversário.  O que ela , minha amiga, como se estivesse sorrindo , respondeu: “ Antes no vidro do que em mim.”
            Os ditos comentaristas , não crédulos diante de tanto despojamento , creditaram a ela um tamanho otimismo, característica real da personalidade dela. Em resposta a tantos elogios ela disse: “Gente, eu li os dois volumes de Pollyana e brinquei muito do jogo do contente.”
            Para quem , não conhece o livrro é um clássico da literatura infantil, de Eleanor H. Porter, que uma menina órfã vive sua vida segundo regras do “jogo do contente” , uma brincadeira que consiste em sempre encontrar o lado bom das coisas. Mais do que um personagem com sua alegria quase irritante , Pollyana virou um adjetivo para definir os otimistas incorrigíveis.
            Embora  o mundo de Pollyana não exista, os problemas não são sempre as coisas que te acontecem  , mas o que você faz com as coisas que te acontecem. A gente sabe que não tem como evitar que situações desagradáveis , na minha , na sua vida, mas a maneira como você reage é que vai definir o proveito que você tira da situação , não importa quão difícil esta seja.
E que as mangas não parem de cair nos carros.
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