domingo, outubro 30, 2011

A Babilônia é aqui.



O atendimento de saúde no Brasil é indubitavelmente péssimo e seus descalabros estão diariamente na mídia , quando tomamos ciência da  falta de profissionais qualificados nos hospitais, falta de leitos , o que causam morte de pacientes  , sejam mulheres, homens, gestantes e idosos , crianças, ninguém escapa  .
Tudo acontece realmente pela má administração do poder público que nada faz para melhora isso. Ou melhor fazem sim , constroem UPAs , que prestam atendimento questionável e quase sempre encaminham o paciente as emergências desequipadas dos hospitais públicos.
É incontestável também  , que deveriam equipar os hospitais , abrir vagas para novos funcionários qualificados e principalmente pagar um justo salário aos médicos e aos profissionais da saúde pública . Isso é fato.
O que não justifica é o protesto raivoso que venho lendo na internet nos últimos dias em função da doença  acometida ao ex - presidente Lula , para que o mesmo se tratasse no SUS , a fim de  demonstrar solidariedade com os mais pobres. O que me fez pensar  é : "O que leva a tanto ódio nas pessoas?."
Parecem cães raivosos fazendo piada do câncer alheio, sem pensar que também faziam piadas com os menos favoráveis. Senti na verdade uma vergonha alheia , cada vez que lia essas tolices.
Não discordo que se façam críticas quanto a administração do governo Lula , principalmente quanto aos escândalos acontecidos no seu governo e sua conivência com a corrupção . Mas também , não pode-se deixar de reconhecer que o mesmo manteve com rigor a democracia e elogiar o crescimento econômico do país e seu investimento social  " nunca antes na história deste país" , visto.
Embora as pessoas possam ter aversão ao Lula como político e homem público é repugnante, desrespeitosa essa forma de protesto raivosa . Não sei o que se passa com as pessoas e o que as fazem sentir prazer na desgraça do outro. Tenho deverás repulsa a esse comportamento .
Na semana passada , festejavam também ao horror do linchamento do Kadafi, apesar de ser um déspota , o ditador libanês deveria ser entregue a julgamento. Pergunto : O que há com as pessoas? Parecem viver na Babilônia , regidas pelo Código de Hamurabi e principalmente pela Lei de Talião : " Olho por olho, dente por dente."
Que medo!

Nem tudo é mentira.

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quarta-feira, outubro 26, 2011

Santa Clara Guerreira





Na casa de praia de meus pais, música era o aperitivo que não podia faltar no drinque. Lembro que a única coisa que nunca era esquecida era uma caixa cheia de fitas cassete que minha mãe tinha. O repertório, embora variado, as canções de amor e os sambas canção predominavam no ambiente.
Foi assim que conheci Clara Nunes; via as fotos do seus LP, vestida com roupas que remetiam as religiões afro-brasileiras e os cabelos vermelhos, uma imagem marcante para uma criança. E mais ainda quando a ouvia cantar sambas que até hoje eternizam em minha vida como: Morena d’ Angola, Coração Leviano, Bela Cigana, O Mar Serenou.
Além de outro fato, que nunca me fez a esquecer, foi na ocasião do seu falecimento, dito ser um choque anafilático da anestesia tomada para uma cirurgia de varizes. Entrei na cozinha e deparei com minha mãe chorando junto a uma tia, perguntei: “O que houve?” As duas se entreolharam e responderam quase juntas: “Foi a Clara”. Não entendi nada; nos meus onze anos de idade achei quer era uma amiga querida, não descobri que a “Clara” falecida, era sim “Clara Nunes” ou Clara Guerreira”. Posso dizer que, guerreira ou não, nunca esqueço aquela cena, as duas preparando uns drinque e uns petiscos, com certeza molhados pelas lágrimas derramadas.
 E nesse dia mesmo devido a comoção nacional que se abatia pela morte da cantora e ,principalmente, a que se abatia na minha casa , conheci a outra faceta de Clara , aquela que cantava canções de amor como :  Serenata do Adeus, Ah! Quem me dera, Jardins da Solidão , Amor Perfeito e Sem Companhia.


Lembrei dessa história porque na semana passada ganhei de presente de um amigo um CD do compositor Ivor Lancellotti: Em boas e mais companhias. E é dele as composições citadas acima - Amor perfeito e Sem Companhia -, mas que foram eternizadas por Clara.
Embora a mídia não tenha dado o devido valor ou esqueceu o talento do compositor, que é indiscutível. E hoje é para alguns reconhecido como o pai do baterista Domenico Lancellotti e do vocalista Alvinho, do Fino Coletivo. Sem saber dos sucessos das composições dos pais dos moços que continua um fera nas canções românticas e que, com certeza, se ainda estivessem vivas, Elizeth Cardoso, Maysa e principalmente Clara, gravariam novamente suas músicas - o disco é realmente de primeira mão.
 Sempre clara, depois que entrou com seu chocalho amarrado na canela, nunca mais se fez esquecer, seja por onde vier, suas canções, sua dança e seu orixás. Nunca mais será por mim esquecido
Salve Santa Clara Guerreira.

Nem tudo é mentira.
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crédito da imagem : João Pinheiro.

segunda-feira, outubro 10, 2011

Tóim!

       
  Na semana passada , no afã da emoção li nas redes sociais , sites e mesmos jornais e depoimentos de pessoas sentindo-se viúvas pelo falecimento do sócio e fundador da empresa Apple :  Stevie Jobs .
Não tiro toda a relevância que ele teve , muito menos a sua genialidade , visto que não só criou , produtos maneiros e esteticamente bonitos, além de práticos, modernos e simples. Como também, revolucionou o cenário além da informática , quando criou o Ipod , que era integrado ao programa pela internet de venda de legal de música  ,que descobri vendo noticiário era uma de suas paixões.
Além de , ter criado os apelidados Iphone , que além de serem os primeiros de tecnologia de toque , são micro computadores ao invés de telefones. Entre outras coisas que devem ter também grande relevância, que uma cronista leiga no assunto não vai lembrar.
         Embora , caro leitores posso firmar que em 20 anos o genial Stevie , não vai ser lembrado e sabe-se lá que sua maçã mordida não virará , mas uma fábrica não tão mais inovadora e ultrapassada por outra ou por um outro gênio do momento.
         Diferentemente do grande gênio da maçã , que foi Isaac Newton, quando segundo a lenda descansava embaixo de uma macieira e foi acordado pela fruta que caiu em sua cabeça e nada mais fez surgir a Lei da Gravitação Universal, estudada e relembrada até hoje assim como seu criador, há aproximadamente 400 anos , que é tema de debates até os dias de hoje tal qual relevância tem.
         Reflitam  viúvos da maçã mordida ou applemaníacos  e parem de comparar Jobs a Newton , pois o mesmo sabia que não o era . E parem para  pensar que a revolução dos tempos contemporâneos  é a própria internet, que não tem o inventor próprio, mas que ninguém procura saber como surgiu. Duvido.       
         Só me resta dizer então : Descanse em paz Steve . Porém , só duas maçãs mudaram o mundo a da Eva e a de Newton, a sua inclusive já estava mordida.
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quarta-feira, outubro 05, 2011

Together forever


No dia que me preparava para o Rock in Rio , ansiosa pelo show do Stevie Wonder , passava na televisão uma reportagem sobre a morte de Michael Jackson e aquilo me fez lembrar que no ano que ele veio no Brasil eu e uma turma de amigos tínhamos vindo de Belém até Blumenau , para o Oktoberfest. E ficamos eufóricos quando soubemos que Michael faria o show em São Paulo, providenciamos os ingressos e alugamos um micro ônibus e partimos rumo ao Morumbi. Foi inesquecível assistir um dos maiores ídolos da música pop do planeta , dançar e deslizar pelo palco e ainda cantar seu maiores hits , que me fez esquecer o cansaço da viagem de horas até chegar a capital paulista , a qual sai logo após o término do show.
Posso dizer que a ida ao Rock in Rio, exclusivamente para ver Mr.Wonder não foi tão menos cansativa, quando ainda no meio da tarde reunimos um grupo em uma van e seguimos para a cidade do rock, atravessando um longo caminho de trânsito. E horas de espera,  vendo alguns shows agradáveis que tiveram durante o evento e  por fim assistir Sir Stevie.
Embora já na madrugada  , quando a estrela da noite surgiu no palco  me fez sentir uma garota relembrando todos os seus sucessos , num show realmente sensacional, onde até próprio quebrou o digamos " protocolo" e furou seu próprio set list , incluindo músicas como a minha preferida :  "You are the sunshine of my life. "
O êxtase foi tão grande que cada música que ele cantava o cansaço diluia cada vez mais no meu corpo e a música me levava para uma outra dimensão , como também foi no show de Michael, que me fizeram confundir quem era quem e onde eu estava , nos meus instantes de euforia.
Forever Michael e Stevie Wonder é sempre um prazer ouvi-los , suas músicas me fazem bem para alma .
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domingo, setembro 25, 2011

Rock in Rio - I'll be there again


Em 1985 , meus pais me proibiram de ir ao Rock in Rio e fui no meu entender quase deportada para uma casa de veraneio deles com o irmão da minha mãe, um tio querido e já falecido, junto com meus primos , que tal qual o pai  desconheciam rock'n roll e só conheciam música clássica , talvez o básico da mpb e bossa nova : Chico, Caetano e a Garota de Ipanema do Tom Jobim, mas quem não conhece ?.
 Deixo claro que nada tenho contra música clássica , confesso que conheço pouco , mas adoro ouvi-la nos dias de hoje. Mas na época no início da adolescência gostava mesmo era do bom e velho rock . E claro no melhor da rebeldia juvenil  infernizei todos na casa de praia , com a televisão ligada nas alturas do começo ao fim do festival , revoltada com a minha não ida e pela da minha tenra idade , além de ter feito o ouvido da minha amada mãe realmente de pinico, de tanta reclamação. Aff! Adolescentes são todos iguais nos anos oitenta ou agora e eu não podia ser diferente.
Embora com seis anos de atraso em 1991, mas ainda adolescente , finalmente meus pais me liberam com os pais de uma amiga para ir ao Rock in Rio  no dia do Prince e do show inesquecível  do fantástico guitarrista mexicano Carlos Santana de quem eu sou fã até hoje.
Em 2001 , sem precisar mais da  autorização dos pais para ir ao grandioso evento , nem guardar a mesada para comprar o ingresso o que me fez talvez numa vingança inconsciente assistir dois dias do festival . Claro que,  agora dona do meu nariz poderia ir quando quisesse e magia não foi diferente , me senti uma adolescente vendo Cassia Eller , Foo Fighthers , Barão vermelho e R. E. M, entre outros.
E novamente onze anos depois estou na maior expectativa de assistir ao mago da música pop , que fez parte também minha adolescência , lembro das festinhas que ia e tocava sempre alguns dos hits de Mr. Wonder. E também de mais uma vez de ir ao Rock in Rio. Não poderia ser diferente ver a esse grande cantor lembrando também dos meus pais e agradecendo a eles por me apresentarem a boa música, que hoje não sei viver sem.
Admito sentir inveja (inveja branca) a todos aqueles que sabem tocar um instrumento musical, coisa que infelizmente não tenho dom , principalmente a tal da guitarra, nada mais inebriante do som que ela pode fazer e dou meus parabéns a vocês músicos em especial aos guitarristas.
Ô , Ô , Ô Rock in Rio !
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quarta-feira, setembro 21, 2011

Caixa de Copacabana


Voltava pra casa do trabalho e caminhava pela Avenida Nossa Senhora de Copacabana , quando vi um aglomerado de pessoas em frente uma pequena loja. Pensei comigo : " Deve ter sido mais um velhinho que passou mal." .Fique claro que isso é comum nessas bandas onde a população idosa é ou já foi a maioria no bairro, mas felizmente nesse dia ninguém desfaleceu ou algo parecido.
Na  verdade o motivo da aglomeração era um sujeito tocando uma sanfona , arriscando uma música semelhante a um  forró e acompanhado por uma camarada que se esforçava tocando uma  castanhola, o que fazia o "quase forró" parecer algo como um flamenco .
 O mais engraçado disso tudo que os sujeitos tocavam num canto da pequena loja e a mesma nada mais é do que  uma imitação da Casa Pedro , para quem não conhece é  uma cadeia de armazéns tradicional da cidade do Rio de Janeiro, que vende produtos árabes , sementes, entre outras coisas.
 Embora a ideia esdrúxula de atrair freguesia com essa mistureba  musical fosse original, pois não havia uma pessoa que não olhasse para estabelecimento com curiosidade e não esboçasse um sorriso. O mesmo eu não posso falar do nome do local : Casa Flora. Como também, deixava a desejar ao "Pedro" , no quesito aos produtos árabes , já que na minha pequena para da na porta oque  mais vi por ali  bebidas.
Não diferente das ouras pessoas sai dali com um sorriso  no rosto  e continuei caminhando para casa  e quando dobro a esquina próxima minha casa, qual susto não tomo ao me deparar com uma gauchada, fantasiada com a camisa clube Internacional  , ao redor de bar tipo " pé sujo" , de nome se não me engano é : Copinha. E segundo informações da  vizinhança conhecido em acolher os sulistas , torcedores fanáticos  do Colorado , assim apelida-se os torcedores do Inter , que torciam vidrados na televisão bema mais moderna do que o lugar ,  como se lá no Rio Grande do Sul lá estivessem.
Não é a toa que Copacabana para mim é uma caixa de surpresa ou melhor Pandora , embora não possa dizer que na caixa do bairro saiam os males do mundo , pois o que tenho visto é bem longe disso e com certeza bem mais divertido.

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quinta-feira, setembro 15, 2011

Espaço vazio



Deixei passar alguns dias , do aniversário dos dez anos do 11 de setembro , embora ache estranha comemoração para tal tragédia, mas enveredar por esse lado daria outra crônica e como ando dispersa não seria difícil eu desviar o enredo , o que acho que já estou começando a fazer agora.  O fato é que , eu não escrevi nada sobre a comemoração da funesta data porque não tinha nenhuma história original ou memorável para contar , a não ser que recebi o telefonema de uma amiga , que me informou do fato é disse para que eu ligasse a televisão o que fiz e como a maioria das pessoas assisti a segunda torre sendo atingida , imaginando  ser um filme de ficção , só que ao vivo.
Outra coisa nada original que observei é o grande espaço que até hoje a falta das Torres Gêmeas faz no centro, da cidade de Nova York  , deixando com isso um grande buraco solitário e um enorme vazio e que me recorreu a uma  conversa recente que tive com uma conhecida que discursava sobre o fato de nunca sentir solidão e que atualmente até preferia ficar sozinha em sua casa, do que buscar a companhia dos outros. Curiosa perguntei a ela : Você consegue então preencher os espaços vazios dentro de você? Ela me olhou desconfiada e respondeu : "Sim " .E como você faz pra preencher esses espaços vazios? , perguntei novamente. Ela me deu variadas respostas de como preenchia seu tempo e eu apenas sorri. Então pensei : "Há várias formas enganosas de preencher o vazio dentro de nós. E que o melhor é estarmos nos reinventando para sobreviver."
Claro que isso é apenas uma opinião da humilde blogueira , que aproveitando do vago pensamento acima, acrescenta e completa com uma frase que não sei de quem é o Autor : "...Não escrevo para ganhar a vida. Mas para me salvar dela..." .
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